A luta contra o racismo

No início deste ano, o Vasco da Gama lançou uma camisa em homenagem ao ano de 1923, quando o clube rompeu com o racismo no esporte mais popular do Brasil. O fato foi que o Vasco, com um time de negros, mestiços e brancos pobres, ao vencer as equipes formadas por brancos e amparadas pela aristocracia de Fluminense, Botafogo, América e Flamengo, teria revolucionado o futebol em direção à democratização. Siga o restante do post e veja o grande exemplo do Vasco da Gama, que infelizmente ainda não é totalmente seguido nos dias de hoje.

Vejamos o que aconteceu em 1923 para entender que não foi apenas aceitá-los no time para marcar época, foi preciso mais. A equipe vascaína, comandada pelo uruguaio Ramon Platero, se concentrava e fazia treinos físicos, ao passo que os rivais iam às farras noturnas. Nisso já começavam a surgir polêmicas, pois o time vascaíno, por ser formado por integrantes de uma classe rebaixada no país e de postura diferente das demais, dominava a competição. Assim, quanto mais o time vencia, mais os estádios atingiam sua lotação, em resposta ao futebol elitizado presente nos rivais do Time da Colina. Apesar das dificuldades, críticas e acusações, o Vasco foi campeão naquele ano. Para Mário Filho, em “O Negro no Futebol Brasileiro”, o título do Vasco “era uma verdadeira revolução que se operava no futebol brasileiro”.

Após as derrotas para o time cruz-maltino, Fluminense, Botafogo, Flamengo e América criaram uma nova entidade, a Associação Metropolitana de Esportes Athléticos (Amea) e fizeram uma série de exigências aos clubes interessados. E por mais estranho que pareça diante dos padrões atuais do esporte, os jogadores, naquela época, teriam que ter profissões consideradas superiores à profissão de jogador e ainda não poderiam receber para integrar um time.

Ou seja, é como se hoje você exigisse que o Neymar e companhia tivessem carteira de trabalho assinada como engenheiro ou médico para poderem participar dos campeonatos. Sendo assim, para entrar na Amea, os clubes teriam de dispensar os atletas que não preenchessem esses requisitos, ou seja, pobres, negros, subempregados e analfabetos. Havia preconceito social e racial explícito. Então, forçado a eliminar 12 atletas para ser aceito, o Vasco se recusou a tal e permaneceu na Liga Metropolitana de Desportos Terrestres (LMDT). Com isso, no ano seguinte, aconteceram dois campeonatos: o da Amea, vencido pelo Fluminense, e o da LMDT, pelo Vasco da Gama.

Camisa em detalhe

Esses acontecimentos nortearam a homenagem em forma de uniforme. Ser o primeiro time oficialmente de maioria negra*, mestiça e de brancos pobres, ou seja, um time de pessoas realmente à margem da sociedade predominante; ainda, diante desses fatores, chegar ao título, vencendo os grandes burgueses; e acabar adquirindo como consequências a discriminação e a expulsão da Amea. Passar por tudo isso em uma época de ascensão do esporte no Brasil e “sobreviver”, garante esse destaque ao Vasco da Gama, além de se tornar exemplo seguido pelos demais clubes nos anos seguintes e que infelizmente ainda deve ser lembrado às pessoas nos dias de hoje.

*Através do próprio livro de Mário Filho, sabe-se que o primeiro time a aceitar 1 jogador negro no Brasil foi o Bangu, mas o Vasco foi o primeiro que formou um escrete de maioria negra e/ou mestiça.

Uma resposta to “A luta contra o racismo”

  1. Douglas Says:

    Acredito que é através dessa miscigenação de povos e costumes que fez o futebol brasileiro tão vencedor durante o século XX.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: