Futebol e Carnaval – duas paixões que não se misturam

 

Mestre-sala e porta-bandeira da Gaviões.

A velha máxima diria que todo brasileiro gosta de futebol e carnaval. Mas cuidado na hora de misturar os dois. E não estamos nem falando da participação de jogadores na folia, o que ao meu ver, se não refletir em campo, não há problema nenhum. Mas o histórico recente mostra que quando alguma escola de samba resolve falar sobre o assunto, não costuma dar certo. Para saber o porquê, é só seguir o resto do post.

Do carnaval paulista vem o exemplo máximo de interação entre futebol e carnaval, com as escolas de samba Gaviões da Fiel (Corinthians) e Mancha Verde (Palmeiras). Curiosamente, nenhuma jamais foi campeã com um enredo sobre seu clube (a Mancha foi apenas campeã de “Blocos Especiais”) e, para evitar problemas nas arquibancadas de desfiles, a Liga das Escolas de São Paulo proibiu a criação de novas escolas de torcidas de futebol.

No Rio de Janeiro, uma escola tem origem no futebol, mas seguiu por outro caminho. A Mocidade Independente de Padre Miguel começou como um bloco de um time de futebol amador, o Independente. Com o tempo, a Mocidade ganhou mais força que o futebol, chegou à elite, ganhou títulos e fez história quando Mestre André inventou as paradas de bateria, que é citação certa entre as melhores do Rio. E há muito tempo que do clube inicial só resta o nome, as cores e a estrela como símbolo.

Mas a Mocidade precisou esquecer do futebol para dar certo. No maior carnaval de escolas do país, a combinação futebol e carnaval costuma ser desastrosa. Começando com uma série de centenários homenageados, a Estácio de Sá foi quem se saiu melhor, ficando em 7º no desfile de 1995 com o enredo “Uma vez Flamengo…”. Em 2002, a Acadêmicos da Rocinha homenageou o Flu no Grupo de Acesso; já em 2004, a Unidos da Ponte homenageou o América na 3ª Divisão e a Unidos de Padre Miguel homenageou o Bangu na 6ª Divisão. Nenhuma das três conseguiu o acesso. Mas o maior desastre foi em 1998, quando a nau da Unidos da Tijuca (que é a atual campeã) naufragou com o enredo sobre o Vasco da Gama, sendo rebaixada. Talvez pelo histórico, nenhuma escola homenageou o centenário do Botafogo em 2004. O clube resolveu inovar para não ficar fora do samba, e lançou agora em 2011 um concurso para escolher o seu samba-enredo particular (que não sairá em nenhuma escola).

 

Desfile da Estácio de 1995.

As exceções vem do sul. No carnaval gaúcho, a Bambas da Orgia foi campeã em 2003 homenageando o Grêmio, e a Imperatriz do Samba repetiu o feito em 2009 com o Internacional. Ainda em 2009, a Acadêmicos da Realeza ficou com o troféu em Curitiba homenageando os 100 anos do Coxa.

 

Pavilhão da Bambas da Orgia.

Há outros exemplos de clubes homenageados Brasil a fora: o clássico entre Avaí e Figueirense foi tema da Consulado de Florianópolis em 2003. A Rosas de Ouro, em Vitória, homenageou a Seleção Brasileira em 2009. Outros exemplos são menos tradicionais: Rildo e Nilton Santos já foram temas de escolas de grupos de acesso no Rio (Unidos de Uraiti e Vila Isabel, respectivamente) e a Igrejinha, de Campo Grande, levou em 2009 o enredo “Dos Pampas ao Pantanal, o futebol e motivo de paixão”, homenageando ao mesmo tempo o Comercial, time tradicional da cidade, e o Inter gaúcho. Entendeu a ligação? Não? Nem eu, mas a escola jura que fez todo o sentido. Coisas de carnaval.

 

De amarelo como a seleção, mestre-sala e porta-bandeira da Rosas de Ouro de Vitória.

Várias informações retiradas do blog “Onde a coruja não tem vez”.

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