Pelada de fim de ano tem sua utilidade

Na partida entre Cariocas e Paulistas realizada em São Caetano, tecnologia e novidades na regra são testadas.

Na última quinta-feira (9), quem foi ao Anacleto Campanela pode curtir mais do que uma pelada entre craques de férias, tão abundantes nesses meses de dezembro e janeiro. A partida entre combinados do Rio e de São Paulo inaugurou a Copa Inovação, competição organizada pelos Sindicatos dos Atletas Profissionais de Futebol dos dois estados, e que tem por objetivo testar novidades no futebol.

Na primeira edição, as novidades testadas foram: cartão azul, pedido pelos jogadores dos sindicatos, que consideram o cartão vermelho muito severo em casos de repetição de amarelo por indisciplina ou falta leve (como retirar a camisa na comemoração de um gol), retira o atleta punido de campo por 10 minutos; substituições ilimitadas; e, o mais importante, uso da tecnologia para rever o lance, com direito a um desafio por tempo para cada técnico.

 

Sálvio Spinola (juiz), Roberto Braatz e Ednilson Corona (bandeirinhas), Rodrigo Braghetto (4° árbitro), Walter José dos Reis (árbitro de vídeo) e os dois capitães, Carlos Alberto (RJ) e Elano (SP), discutem se o gol do Rio foi legal. Ambos os capitães concordam em validar o gol (total de 6 a 1 a favor): ponto para a tecnologia.

Na partida inaugural, a revisão foi usada duas vezes, quando os 4 árbitros mais os 2 capitães e o árbitro de monitor (função específica) tem direito a voto (7 votos no total). Nas duas, a decisão da arbitragem foi mantida. Se bem que na segunda isso já era esperado, como falou Zico, técnico do RJ: “não vi necessidade de pedir análise do lance da falta, mas provocamos isso para ver como funcionava. A inovação é válida, até porque não podemos em uma Copa do Mundo ter um gol não validado depois de entrar um metro ou um jogador carregar a bola com a mão na frente de todo mundo e não acontecer nada.”

 

Sálvio Spinola com o cartão azul: mudança pedida pelos jogadores, que não elimina o vermelho.

Já Sálvio Spinola, árbitro da partida, deu opinião bem consciente sobre o uso da tecnologia: “foi uma experiência muito positiva, considerar que nós, árbitros, podemos ter nossas opiniões revistas. É claro que ninguém sonha que no próximo campeonato já tenha isso colocado em prática, o objetivo foi abrir o debate, dizer que é possível. O futebol vai continuar com suas polêmicas, mas em matérias não- interpretativas é possível sim usar a tecnologia. Ter essa opção faz com que o futebol ganhe, porque até o árbitro vai para o jogo com mais tranqüilidade de ter o respaldo da tecnologia, podendo até assumirmos muito mais riscos. Sabemos que não é todo jogo que terá isso, mas é importante ter alternativas para rever nossas decisões. O importante é continuar com essas experiências, porque tem pessoas que são a favor, tem pessoas que são contra, mas agora há uma experiência prática, que sai do debate apenas teórico.”

A idéia é extremamente válida, pois o caráter amistoso e a organização por instituições não regulamentatórias permite que qualquer teste seja feito sem o consentimento da Fifa. O planejamento inicial é realizar a Copa até 2014, tendo uma média de 5 jogos por ano, enviando um relatório à Fifa e à CBF ao fim de cada jogo.

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