Filosofias da Bola n° 22 – Especial Pelé 70 anos, entende?

Comemorando os 70 anos do nosso eterno camisa 10, o rei do futebol, o Cultura traz frases de  um time de 11 “filósofos” sobre O MELHOR DO MUNDO.

Com a palavra, o filósofo número 11: João Saldanha, falando sobre o Pelé e o Edson (ele fora de campo).

“Dentro de campo, Pelé foi um gênio, o maior que conheci. Fora do campo, é um homem comum. Querem que ele seja fora do campo o que ele foi dentro do campo.”

Obs.: Nessa resposta a uma entrevista (pergunta sobre as críticas ao Pelé fora de campo), João Saldanha faz uma análise que permanece muito atual sobre esporte, ídolos e sociedade, recheada de frases marcantes. Por isso consideramos que vale a pena colocá-la na íntegra para você. Não haveria encerramento melhor para a série.

João Saldanha: “Dentro de campo, Pelé foi um gênio, o maior que conheci. Fora do campo, é um homem comum. Querem que ele seja fora do campo o que ele foi dentro do campo. Isso talvez não seja compatível. Digo francamente, porque não tenho nenhum problema com jogador e ex-jogador nenhum. Nunca tive. Sempre os tratei com respeito e exigi respeito. A vida particular de cada um? Só me preocupava uma coisa: se joga bem, entra no time. Mas, se é homossexual, se é ladrão, se é isso ou aquilo, não sou nem nunca fui crítico de moral para dizer. Sempre entendi que eles fazem parte de uma sociedade tal qual ela é e não tal qual eu desejava que fosse. Claro que eu desejaria que fosse uma sociedade boa e eles fossem bons em tudo. Não são. Paciência. Não conheci Pelé fora, uma vez ou outra comemos juntos e batemos papo à toa. Toda vez que a gente se encontra é aquilo: ‘Como vai, chefe?’ – ele me chama de ‘chefe’ e eu chamo ‘oi, negão’. É papo informal sem maior intimidade. A crítica que se faz a Pelé traz um bocado de inveja. Um crioulo no Brasil que fica rico é ‘besta’. Mas com branco rico não existe problema. Paulo César dá uma resposta boa quando perguntam por que é que todo crioulo rico pega logo uma loura. E aí ele diz: ‘Vamos inverter a posição: por que é que toda loura pega sempre um crioulo rico?’. Então, pombas, vamos ser realistas e enfrentar a vida com a naturalidade que ela tem. Pelé só deve ser tratado como um grande gênio de uma arte popular. O resto não é um problema social, positivamente.

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