Chega de 0 a 0. Os esquecidos.

Escondidos nas entrelinhas dos regulamentos, outros critérios menos famosos vagam no quase anonimato futebolístico. Mas se você se assustou quando esta série mostrou a possibilidade do seu time decidir um título no sorteio, não se preocupe. Os desempates que você vai conhecer clicando na continuação do post a seguir existem para adiar ao máximo essa possibilidade.

– Justiça dos critérios

Todos os critérios apresentados abaixo até o item “Aberrações” consideram fatores técnicos e são justos por isso. Mas todos têm críticas. Definir qual é a ordem ideal para a aplicação deles é uma tarefa polêmica, então respeitamos a opinião de cada um. Mas, é claro, que também daremos nossa opinião no final da série.

– Confronto direto

A vitória da Irlanda sobre a Itália na Copa de 1994 foi decisiva na pontuação do grupo e no desempate por confronto direto. 1 a 0.

Aplicação: desempata os times considerando o resultado dos jogos entre eles.

Uso: é o primeiro critério de desempate em vários campeonatos importantes, como os da Uefa (tanto seleções como clubes); no Brasil, costuma aparecer no final da fila.

Conceito: usando esse critério como o principal do campeonato, cada jogo deve ser encarado realmente como uma final em potencial, pois se os dois times empatarem no final, o desempate vai ser no confronto entre eles.

Crítica: se por um lado faz os times encararem cada jogo como uma final, por outro deixa em segundo plano a regularidade em campeonatos longos, e pode causar desinteresse em jogos de times de pontas diferentes da tabela (afinal, o saldo em um jogo desses não será relevante).

Curiosidade: se houver mais de dois times empatados, é montado uma “miniclassificação” considerando todos os jogos entre eles, os desempatando com os critérios na mesma ordem que prevista pelo regulamento (ex.: ponto, saldo, vitória, gol fora de casa, e assim por diante); nesse caso, se na “miniclassificação”, dois ou mais times continuarem empatados, faz-se uma nova tabela de confronto direto, eliminando os resultados dos times que não mais estão empatados, até não haver mais empates ou a possibilidade de desempatar por este critério.

– Já foi usada em uma Copa do Mundo, no que foi o grupo mais empatado da história (1994, grupo E, todos os times terminaram com a mesma pontuação).

– Vitória

Botafogo no Brasileirão 2010: empatou até no recorde de maior seqüência de empates. Desvantagem nos critérios.

Aplicação: quem tem mais vitória, leva vantagem.

Uso: é o principal critério de desempate em vários torneios no Brasil, como o próprio Brasileirão; em outros países aparece depois do saldo de gols ou sequer é citado.

Conceito: valorização da vitória e incentivo à busca dela.

Crítica: como a pontuação do futebol já valoriza a vitória (3 pontos, contra 1 do empate), este critério a “supervaloriza”, pois em 3 jogos a combinação de 1 vitória e 2 derrotas (mesmo que o saldo de gols seja péssimo) é sempre melhor que 3 empates; essa questão não havia quando a pontuação do futebol era vitória 2, empate 1.

 

– Gol marcado

Já o Fluminense tinha o melhor ataque no momento que liberamos este post. Vantagem para o desempate.

Aplicação: quem faz mais gols, leva vantagem.

Uso: sempre depois do saldo de gols (se há gol fora de casa ou não entre eles, depende do regulamento).

Conceito: entre times que tem o saldo igual, premiar o ataque mais positivo.

Crítica: não há.

 

– Fair play

A decisão do campeonato pode estar mais na mão do árbitro do que você pensa.

Aplicação: quem leva menos cartões vermelhos e, depois, menos cartões amarelos.

Uso: aparece em alguns torneios, sempre como último desempate antes do sorteio.

Conceito: premiar times menos violentos.

Crítica: a decisão fica na mão dos árbitros, que não têm o mesmo critério na aplicação dos cartões.

 

– Bizarrices

Atlético Roraima campeão do estado em 2009. Regulamento no mínimo peculiar.

Outros critérios de desempates bizarros existem. Como mencionamos no post anterior, existe o menor número de gols sofridos, que além de premiar a defesa em detrimento do ataque é o primeiro dos critérios em Roraima.

Na liga estadunidense da década de 1970, época do New York Cosmos, existia o shoot-out no lugar dos pênaltis, importado do hóquei no gelo. O atacante saia da intermediária e tinha 30 segundos para tentar converter o gol tendo só o goleiro pela frente e podendo tocar na bola quantas vezes quisesse.

Na década de 1980, o Campeonato Brasileiro teve algumas edições em que o desempate era a maior renda de público. Isso gerava confusões monumentais, sendo um dos estopins para a grande bagunça em 1986 que gerou a Copa União de 1987 (ver aqui).

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