Chega de 0 a 0. A decisão em uma moeda.

Imagine a seguinte situação. Uma seleção bi-campeã do mundo disputa uma vaga na final da Eurocopa que acontece no seu país. O adversário é forte, foram semifinalistas na última Copa. E após uma partida dramática que termina sem gols após a prorrogação entra em campo a protagonista mais temida dos desempates. Pênaltis? Que nada. Tudo será decidido por ela: a moedinha. Continue a leitura para saber como o sorteio já fez estragos no mundo do futebol.

A decisão de 4 anos de trabalho na mão dessa senhora: a moeda.

Como é feito?

A história que contamos na introdução aconteceu em Nápoles durante a semifinal da Euro de 1968. Os fãs da azzurra escaparam de um trauma nacional ao receberem a notícia de que a senhora suprema dos destinos naquele dia, a moeda, havia eliminado os soviéticos. Os sorteios atuais, quando necessários, são feitos com toda a pompa e vistoria necessária para a ocasião: horário e local marcado, bolas de bingo especiais (como as que vemos em sorteios de grupos da Copa do Mundo) e a devida auditoria. No passado, o sorteio podia acontecer após o jogo com a única “auditoria” dos capitães adversários e dos juízes. Valia cara-ou-coroa, papelzinho ou qualquer outra combinação de comum acordo entre as partes.

 

O sorteio de grupos da Liga dos Campeões da Uefa. As bolinhas são a versão moderna das moedas e podem decidir o que não foi feito com a bola de jogo.

Uso

Acredite, houve uma época em que os dirigentes do futebol pensavam menos do que hoje. Não existiam para desempates “modernidades” como os pênaltis e o saldo de gols. Então, como os calendários nem sempre permitiam jogos extras indeterminados, um empate persistente era decidido com o sorteio, seja ele em um confronto mata-mata ou em fase de grupos. Nas eliminatórias da Copa, normalmente havia um jogo extra antes do sorteio. No caso da Eurocopa citado, não havia nem esta premissa.

Felizmente o futebol evoluiu. Mas pode reparar, em quase qualquer regulamento o sorteio está lá ainda. Mas agora só nas fases de grupo, se houver um incrível empate em todos os demais critérios técnicos. Há, ainda, os regulamentos mais precavidos que prevêem uma partida extra ainda nesses casos – com desempate em prorrogação e/ou pênaltis –, execrando o sorteio. Caso de Argélia e Egito nas eliminatórias africanas para a Copa de 2010, como falado no post anterior.

Histórico

Não se sabe quando começou, mas já marcou presença em decisões importantes de Eurocopa, Copa América, eliminatórias, Olimpíadas e teve até uma passagem pela Copa do Mundo em 1990, mas sem grandes conseqüências práticas (os dois times empatados na primeira fase já estavam classificados).

Itália: campeã européia de 1968 com 1 vitória, 1 empate e 1 cara-ou-coroa ganho.

Exemplos

– Grande jogo:

Itália 0*x 0 União Soviética – Semifinal da Eurocopa de 1968

AET (0 x 0; 0 x 0; 0 x 0; 0 x 0)

*Itália se classifica no cara-ou-coroa.

– Copa do Mundo:

Irlanda e Holanda. Empate em tudo.

Copa de 1990 (1ª Fase) – Grupo F

*Irlanda classificada em 2° do grupo por sorteio (a Holanda passou como um dos melhores 3os).

– Brasil:

Paraguai 1 x 1 Brasil – Semifinal da Copa América de 1983

(0 x 0; 1 x 1)

Brasil 0*x 0 Paraguai – Semifinal da Copa América de 1983

(0 x 0; 0 x 0)

*Brasil se classifica no cara-ou-coroa.

Justiça? A análise do Cultura.

Ah, até agora todas nossas análises eram que os critérios eram justos, então você devia estar se perguntando para que serve esta sessão. Então chegou a hora da resposta mudar. O sorteio NÃO é justo. Qualquer advogado pode argumentar que a justiça está em ambas as partes terem condições iguais. Mas isto é um esporte, e o sorteio não determina nenhum critério técnico entre as equipes, é pura sorte, um assassinato à esportividade.

Críticas

Deixar uma decisão de torneios que podem definir um, quatro anos de trabalho, muito dinheiro e muita paixão investidos, na mão de uma moeda… precisa falar mais?

Aberrações

O sorteio em si já é uma aberração.

Um sorteio no padrão Fifa (no caso, para o emparalhamento do Mundial de Clubes).

Curiosidades

A partida de pênaltis foi criada na década de 60 com o intuito de acabar com o sorteio no futebol. Alguns atribuem o caso que gerou os pênaltis às quartas-de-final olímpica de 1968, quando Israel perdeu no sorteio para a Bulgária, após 1 a 1 no tempo normal. Vale lembrar que o embrião dos pênaltis já eram testados desde 1962 na Espanha, podendo esta partida ter apenas servido para a regulamentação dos pênaltis, que aconteceu em 1969/70.

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