Chega de 0 a 0. O vovô dos desempates.

Você se lembra que no post sobre a prorrogação nós não conseguimos precisar quando ela começou? Pois é, a prorrogação é uma criança perto do jogo extra. Mas o vovô dos desempates ainda esta vivo por aí. Essas e outras curiosidades sobre o jogo extra você vê no restante do post. É só clicar abaixo.

Como é feito?

Ah, vai dizer que o nome já não deixa bem claro? Empatou?, começa de novo (em um outro dia, claro). Ok, ironias à parte, existe algumas pequenas variações do uso do jogo extra. Primeiro, o jogo inicial pode ou não usar a prorrogação antes do jogo extra. Segundo, ele pode ter quantidades ilimitadas ou não. Antes dos pênaltis serem inventados, era comum em eliminatórias só haver direito a um jogo extra, depois sorteio. Já na Copa da Inglaterra, não havia limite de jogos (e os pênaltis só foram adotados em 1992, para evitar danos ao planejamento de calendário).

Romênia e Cuba foram para o jogo extra em 1938. O curioso é que o goleiro cubano titular não foi a campo na segunda partida. Ao invés disso, a comentou para uma rádio de Havana.

Uso

O jogo extra é muito associado às eliminatórias simples, pelo seu fator histórico em decisões que precisaram de mais de um jogo. Mas na verdade ele serve para decidir qualquer tipo de empate: eliminatórias simples, ida-e-volta e também em fases de grupo. Até hoje algumas competições importantes exigem o jogo extra como primeiro critério de desempate em caso de empates em pontos, como nas decisões de rebaixamento no Rio e de scudetto na Itália. Só que com o advento das partidas de pênalti, normalmente o jogo extra é único, permanecendo o empate tem ­prorrogação e pênaltis, ou só o último. Ou, ainda em uma forma mais bizarra, algum time joga pelo empate dependendo da campanha (veja mais detalhes em “aberrações”).

Histórico

Não se sabe quando começou, mas participou de importantes decisões olímpicas, de Eurocopa, Copa América, e por aí vai.

Exemplos

– Grande jogo:

O Uruguai precisou de dois jogos contra a Argentina para ganhar o bi-olímpico em 1928 no que pode ser considerado o jogo extra mais importante da história.

Uruguai 1 x 1 Argentina – Olimpíadas de 1928 (Final)

AET (1 x 0; 1 x 1; 1 x 1; 1 x 1)

Uruguai 2 x 1 Argentina – Olimpíadas de 1928 (Final)

(1 x 1; 2 x 1)

– Copa do Mundo:

Itália 1 x 1 Espanha – Copa do Mundo de 1934 (4as)

AET (1 x 1; 1 x 1; 1 x 1; 1 x 1)

Itália 1 x 0 Espanha – Copa do Mundo de 1934 (4as)

(1 x 0; 1 x 0)

– Brasil:

Em 1938, o Brasil enfrentou o jogo extra contra a Tchecoslováquia - nosso único em Copas.

Brasil 1 x 1 Tchecoslováquia – Copa do Mundo de 1938 (4as)

AET (1 x 1; 1 x 1; 1 x 1; 1 x 1)

Brasil 2 x 1 Tchecoslováquia – Copa do Mundo de 1938 (4as)

(0 x 1; 2 x 1)

Justiça? A análise do Cultura.

O jogo extra é justo. O problema dele é a crise em calendários que ele pode causar. Se os jogos extras forem indefinidos, as fases seguintes de campeonatos podem ter de serem adiadas quantas vezes forem necessárias. Isso causa um problema para o torcedor, também, que compra o ingresso achando que vai ao estádio ver a decisão do campeonato, mas pode voltar para casa sem conhecer o campeão. Além disso, um time que não jogou um jogo extra entra em campo muito mais descansado que o adversário na próxima fase (vale lembrar que, por causa do calendário, jogos extras costumam ser apenas um ou dois dias após a data do primeiro confronto).

Agora, considero o jogo extra justo quando há empate nos demais critérios. Um time ir para o jogo extra porque empatou em pontos em uma fase de grupo, mesmo tempo saldo melhor, é questionável. E, se ele leva a vantagem do empate para o jogo extra, além de tudo é incoerente: pois é um atestado que ele já possuía uma vantagem técnica antes do jogo extra.

Espanha e Itália chegaram ao jogo extra em 1934 com 12 desfalques no total (7 espanhóis). Todos contundidos da primeira batalha.

Críticas

Bom, a maior parte das críticas já foi feitas na nossa análise própria.

Aberrações

Durante muito tempo, os jogos extras foram usados pela Conmebol como forma primeira de desempate nas suas competições em mata-matas de duas partidas, sem considerar o saldo de gols. Ou seja, se o time A vencia o primeiro jogo por 10 a 0 e perdia o próximo por 1 a 0, era jogo extra na cabeça. Só que o A levava a vantagem do empate para ele, pelo saldo de gols. Vai entender.

Curiosidades

– O jogo extra teve um breve reaparecimento na pauta da FIFA em 2009 e 2010. Como Blatter declarou que não queria final de Copa nos pênaltis, ele também apareceu como possibilidade – mas sem força.

– E na última vaga africana nas eliminatórias, disputada entre Egito e Argélia, o vovô voltou a dar as caras em uma partida envolvendo Copa do Mundo. Os dois times foram para o jogo extra em campo neutro, como previa o regulamento, porque estavam rigorosamente empatados em todos os quesitos: pontos, confronto direto, saldo, vitórias, gols marcados. Deu Argélia por 1 a 0.

Ele não morreu. O jogo extra apareceu entre Argélia e Egito nas eliminatórias para a Copa de 2010.

 

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Uma resposta to “Chega de 0 a 0. O vovô dos desempates.”

  1. Ataque Aéreo Says:

    E o futebol é mesmo uma caixinha de surpresas.

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