Chega de 0 a 0. A história da prorrogação.

Quando se trata de formas de desempate, a prorrogação é A exceção. Como dissemos no último post, ela não é uma regra do futebol, então para ser aplicada deve estar prevista no regulamento do campeonato. Mas, quando está, o resultado final de um jogo só é dado ao final dela. Exemplos? No histórico de Brasil e Itália, a final de 1994 (decidida nos pênaltis) será computada como empate para ambos; na final de 2010, a Espanha ganhou uma vitória a mais no seu recorde contra a Holanda com o gol de Iniesta na prorrogação.

Siga o restante do post e veja algumas curiosidades dela.

Em 19 Copas, Espanha e Holanda fizeram a 4ª final decidida em uma prorrogação.

Como é feito?

Ao final do jogo, são adicionados dois tempos extras de 15 minutos, valendo das demais regras de jogo (troca de campo, desconto), mas seguindo com os dados acumulados do tempo normal. Na prorrogação você pode fazer apenas as substituições que ainda teria direito no momento em que o tempo normal acabou, os cartões não são zerados e, mais importante de tudo (pois já vi até comentarista de arbitragem cometer esse erro): O PLACAR NÃO É ZERADO! Não tem essa de de o jogo terminou 1 a 1 (no tempo normal) e 1 a 0 na prorrogação. No caso descrito, o jogo terminou 2 a 1.

Entretanto, o término da prorrogação já ocorreu de 3 formas distintas, principalmente:

– Extensiva:

Os dois tempos são jogados integralmente até o fim.

– Gol de prata

Menos famosa e rapidamente abandonada, foi adotada pela UEFA e cada um dos dois tempos era considerado separadamente. Ou seja, se ao final do primeiro tempo não houvesse empate, era fim de jogo. O nome “gol de prata” foi uma ironia ao “gol de ouro”, mas ao contrário do que indica o nome, o gol não determinava o fim do jogo. Se um time fizesse um gol no primeiro tempo da prorrogação, o adversário teria o restante do primeiro tempo para buscar o empate e levar a prorrogação para o segundo tempo, ou até mesmo virar ainda no primeiro tempo e acabar com a partida ao seu favor.

– Gol de ouro

Mais conhecida popularmente como “morte súbita” pela sua dramaticidade. O primeiro gol na prorrogação decreta o fim do jogo.

Na Copa de 2002, Ahn fez o gol de ouro mais famoso da história, contra a Itália, que lhe valeu o emprego.

Uso

As prorrogações são usadas para desempatar jogos eliminatórios simples, com mais freqüência, ou jogos de ida-e-volta quando ao final do tempo normal todos os demais critérios estão empatados.

Histórico

A prorrogação extensiva existe há muito tempo. Não conseguimos detectar quando teve seu início, mas vimos registros de jogos já nas Olimpíadas de 1912 que foram decididos assim. O gol de ouro foi utilizado em competições oficiais da FIFA entre 1998 e 2003 e o gol de prata foi adotado pela UEFA durante os anos de preparação para a Euro 2004, mas logo depois foi abandonado.

Exemplos

EXTENSIVA

– Grande jogo:

Itália 4 x 3 Alemanha Oc. – Copa do Mundo de 1970 (Semi)

AET (1 x 0; 1 x 1; 3 x 2; 4 x 3)

– Brasil:

Brasil 6 x 5 Polônia – Copa do Mundo de 1938 (8as)

AET (3 x 1; 4 x 4; 6 x 4; 6 x 5)

GOL DE PRATA

– Grande jogo:

Grécia 1 x 0 Rep. Tcheca – Eurocopa 2004 (Semi)

ASGET (0 x 0; 0 x 0; 1 x 0)

*Nunca usado em Copas.

**O Brasil nunca jogou uma.

GOL DE OURO

– Grande jogo:

Uma Copa já foi definida na morte súbita: a Feminina de 2003.

Alemanha 2 x 1 Suécia – Copa do Mundo Feminina de 2003 (Final)

ASDET (0 x 1; 1 x 1; 2 x 1…)

– Copa do Mundo:

Coréia do Sul 2 x 1 Itália – Copa do Mundo de 2002 (8as)

ASDET (0 x 1; 1 x 1; 1 x 1; 2 x 1…)

– Brasil:

Estados Unidos 1 x 2 Brasil – Copa Ouro Concacaf de 2003 (Semi)

ASDET (0 x 0; 1 x 1; 1 x 2…)

Justiça? A análise do Cultura.

Sim, a prorrogação em todas as suas formas é um resultado justo, pois o desempate é feito dentro de campo. Eu, particularmente, gosto do conceito da morte súbita: se o objetivo da prorrogação é o desempate, por que dar a chance de um novo empate após um gol? Já o gol de prata apareceu meio como um remendo entre o gol de ouro e a extensiva, perdendo um pouco o sentido da sua existência.

Críticas

Bom, em todos os moldes de prorrogação atuais, ela não garante sozinha o desempate, e a maioria das competições que usam a prorrogação têm que ter o plano B, quase sempre os pênaltis. Outra crítica é pelo desgaste físico dos atletas. A crítica ao gol de ouro recai sobre o fato de que, se na teoria ele é muito bom, na prática os dois times jogam na defensiva, com medo de por tudo a perder em um lance.

Aberrações

Alguns campeonatos aplicam os seus demais critérios de desempate após a prorrogação. Por exemplo, o Avaí jogava a final do Catarinense de 2009 contra a Chapecoense. Se houvesse 2 resultados iguais, a partida seguiria para a prorrogação. Se o resultado não fosse alterado, o título era do Avaí, por ter melhor campanha.

Curiosidades

Quem disse que os africanos têm mais fôlego? No sub-20 de 2007, o Chile ganhou a Nigéria por 4 a 0... na prorrogação.


– A Conmebol nunca gostou de prorrogações. Ela só passou a existir nas suas competições na final da Libertadores nos últimos 10 anos. Nenhuma competição sul-americana foi decidida assim até hoje.

– A Fifa estuda novas formas de prorrogação. Foi cogitada a volta da morte súbita aos seus campeonatos, permissão de uma ou duas substituições extras, e o “gol de diamante” (apelido dado nas peladas), que é um gol de ouro eterno, ou seja, só acaba quando houver gol, usando quantos tempos forem necessários. Para esta última forma, também é discutido a redução gradativa do número de jogadores em campo até o limite de 7 na equipe que tiver menos em campo – se um time teve um jogador expulso, por exemplo, ele fica com 7 e o adversário com 8 -, para o gol sair mais rápido.

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