A Copa (que realmente foi) América

Após a Espanha eliminar o Paraguai na última partida das quartas-de-final, estava decretado: somente um time americano, que só não era mais azarão do que Honduras, estaria nas semifinais. Visto isso, um jornalista tentou ir às forras com a empolgação do nosso continente durante a entrevista coletiva do técnico Vicente Del Bosque: “o que dizer àqueles que apontavam a Copa de 2010 como uma ‘Copa América’ já que agora ela virou uma ‘Eurocopa’?” O treinador espanhol então brilhantemente respondeu: “Não podemos dizer isso, meus jogos mais difíceis no torneio foram contra Chile e Paraguai”. No resto do post você confere uma análise mais detalhada dos times americanos na Copa.

Ao analisarmos o resultado de uma seleção na Copa, temos que ter em mente as possibilidades e expectativas de cada país. Por exemplo, para uma seleção com expectativa de ser saco de pancadas como a Nova Zelândia, sair invicta da Copa é um resultado incrível (mesmo sendo eliminada na primeira fase). Nesse sentido, fracassaram Argentina e Brasil, mas não o continente americano. Veja um resumo das demais equipes do continente:

– Uruguai: um craque e muita luta, tanto que um dos 3 atacantes virou “goleiro”, e  o melhor resultado nos últimos 40 anos.


– Paraguai: faltou criação, não empenho. Jogou com 3 atacantes e encarou de igual para igual Itália e Espanha. Resultado: o melhor da história.


– Chile: muita ousadia: 3 atacantes e meias de criação. Foi eliminado pelo Brasil, mas teve seu melhor resultado em 48 anos.

– México: encarou de frente os favoritos e pressionava a Argentina até ser desestruturado por um erro absurdo de arbitragem.

– Estados Unidos: equipe que melhor apresentou futebol em um grupo que tinha a Inglaterra. Atacava até o fim e foi castigada em um contra-ataque ganês.

– Honduras: um goleiro incrível, mas um time um nível abaixo dos outros, como era de se esperar.

As equipes de nível intermediário, por assim dizer, fizeram um papel excelente, chegando na frente de todas as equipes de segundo escalão da Europa, África e Ásia. As 3 seleções européias que chegam ao final do torneio são potências, e que além de ter muita dificuldade contra os americanos, estes deixaram muitas outras pelo caminho. O resultado dessa Copa credencia o Brasil a ocupar a vaga da África do Sul, não tirando uma vaga da América do Sul para dar à África na próxima Copa (até porque, aliás, os times africanos foram o extremo oposto dos americanos).

Para 2014, o Brasil pode muito bem tirar lições de seus vizinhos mais próximos. A garra uruguaia, a entrega – dentro de campo, e não nas concentrações – dos jogadores paraguaios, a ousadia chilena, a insistência ianque e a coragem mexicana. Ah, e claro, tem o exemplo argentino: contratar um técnico de verdade – ao contrário do que os hermanos fizeram.

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