Marcas de um país-continente

Rolou a bola nos quatro cantos do país. De janeiro até março, o Brasil divide suas atenções em mais de vinte estaduais (alguns dos 27 só começam depois). Um fenômeno tipicamente brasileiro e que move rivalidades e debates acalorados. A partir de agora você acompanha um pequeno resumo dos estaduais no Cultura F. C., começando agora com a explicação desse fenômeno e terminando com um registro histórico: em um país com 27 estados, existe um 28° estadual que foi esquecido na memória de todos. Siga para o restante do post e comece essa viagem por todo o Brasil.

No final do século XIX e começo do século XX, o futebol saiu do Reino Unido para ganhar o mundo. Logo, novas potências foram surgindo fora das ilhas britânicas, principalmente na Europa e na América do Sul. E com a rápida popularização do esporte, surgiram juntos seus respectivos campeonatos nacionais. Podemos dividir o desenvolvimento desses campeonatos em dois blocos: países pequenos e desenvolvidos (europeus), que desenvolveram ligas realmente nacionais, com times de várias cidades, pois a distância não era problema; países médios e subdesenvolvidos (sul-americanos e URSS), que desenvolveram ligas que de nacionais só tinham o nome, eram concentradas na capital e a partir daí foram se expandindo. No Uruguai, por exemplo, até hoje todos os campeões nacionais são da capital, Montevidéu, e na Argentina 23 dos 26 campeões estão em um raio de mais ou menos 500km de Buenos Aires.

E o Brasil, onde se encaixa nisso? Em lugar nenhum, o modelo de desenvolvimento brasileiro é único. Charles Miller foi o primeiro a trazer o futebol para o Brasil, em São Paulo, mas não foi de São Paulo que o futebol se expandiu. Outros pioneiros, vindo diretamente da Inglaterra, começaram o futebol quase que simultaneamente em outros lugares (como Oscar Cox, no Rio, que se espantou ao saber anos depois de voltar ao Brasil que São Paulo já tinha futebol). E assim foi que o Brasil, país-continente, desenvolveu seu esporte de maneira tão peculiar, com vários focos igualmente pioneiros. Como dar o título de campeonato nacional ao carioca se clubes de igual importância se encontravam a mais de 1000km de distância? E assim foi, que em detrimento de um campeonato brasileiro unificado, a primeira metade do século XX viu surgir os famosos Campeonatos Estaduais. Cada um com seus times, torcidas, rivalidades… que só seriam enfraquecidas com a popularização dos meios de comunicação de massa (rádio e TV) e o surgimento do primeiro nacional em 1959, a Taça Brasil (vencida pelo Bahia – foto abaixo).

Mas, assim como o rádio que sobrevive à TV e à internet, os estaduais, enfraquecidos, sobrevivem à era do futebol milionário. O Brasil é o único país que reserva um espaço no calendário para que clubes de todas as séries joguem em seus estados – outros países têm regionalização apenas em divisões inferiores do nacional (séries B, C, D, E…). E todo ano a torcida em todo o país vibra com histórias, rivalidades, gols e coroamos 27 novos campeões em todos os cantos. Sorte nossa.

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