Os Garrinchas das Pernas Retas

ronaldoBrigas, acidentes de carro, bebedeiras e drogas em boates, filhos bastardos e pensões atrasadas. Poderia ser um boletim policial, mas é o retrato da vida social de muitos jogadores famosos de futebol. Atualmente, o que se vê é o bom futebol sendo mandado para escanteio pelas polêmicas fora de campo. Na época do Garrincha ao menos ele fazia a torcida feliz…

Que o sonho de toda criança no Brasil é ser um famoso jogador de futebol é fato. Mas será que o sonho de um atleta famoso é ser uma eterna criança? Bom, diante dos fatos, é o que parece ser o retrato mais claro dos jogadores milionários de futebol. A síndrome de Peter Pan não contaminou apenas o Rei do Pop.

Garrincha. O famoso Mané. Um jogador excepcional, e um festeiro nato, atuando com louvor, nos gramados e nas mesas de bar. Fugir da concentração para ele era rotina. O destino podia ser variado, mas os objetivos eram os mesmos: mulheres e bebidas.

Podemos dizer então que o Mané fez escola. E não é pelos dribles, isso todos nós já sabemos. Estamos falando das fugas das concentrações, vidas sociais conturbadas e muitas, muitas festas e, porque não, muitas mulheres. Só que, para o azar dos mais contemporâneos, a imprensa atual tem uma marcação muito mais cerrada.

Nada escapa dos olhares dos paparazzis e o que sai no jornal quase toda semana é fruto de uma infância de muitas exigências, de uma vida nas categorias de base, sem pai e sem mãe, com poucos amigos; a ida para o colégio é por obrigação, pois o prazer mesmo é em jogar futebol e aspirar um futuro de muita fama e dinheiro. É o sonho.

Assim, inevitavelmente, a grande maioria que não desfrutou dos prazeres da época de criança, começará a desfrutar com o auge financeiro, com os milhões na conta bancária, com carros de luxo, com a vida de celebridade e com muitas baladas. Sem falar que nas categorias de base, esses meninos, geralmente de origem pobre, não aprendem valores culturais e sociais, sendo apenas objetos de um imenso garimpo de jogadores. Esse perfil, traçado lá na infância, independe do esporte, dizem os psicólogos. Deve-se, basicamente, às muitas cobranças por resultados, ao grande tempo longe dos familiares e ao fato dos estudos ficarem praticamente abandonados.

É aí que entra outro fator, que não sai no caderno de fofocas, e sim no caderno esportivo. Garrincha, por sua vez, ainda fazia a torcida feliz. O que não é o caso da grande maioria dos que se afundam nas dívidas, problemas com a justiça e com os bons costumes sociais. Fatalmente, as polêmicas assumem o lugar do bom futebol, e a fama costuma abater aqueles que não nascem com a vocação para celebridade (essa é a dura verdade).

Por um lado, se todos os jogadores fossem como Kaká (que preza por valores familiares e religiosos) e Julio Batista (que mora ainda com a mãe), esse post não estaria aqui escrito. Então, vale a pena recordar fatos recentes.

Ronaldo. O jogador estava numa forma física de um esportista de sumô, bem longe de parecer um atleta de futebol. Parecia ter esquecido completamente de tudo que já havia conquistado e que, por ser um jogador talentoso, poderia ainda conquistar. O Fenômeno, de vários e ligeiros relacionamentos com beldades, até envolvido com problemas em um motel com três travestis – como se apenas um não fosse suficiente para gerar problemas – ele esteve. Felizmente, e os corintianos que agradecem, ele voltou a jogar, e jogar bem. Deve ser motivo para comemoração, pois o atleta passou muito perto do que costumam chamar de “fundo do poço”, no qual ele poderia até ilustrar o papel de rolha.

Já Robinho, recentemente acusado por estupro, sofreu na pele as dores de cabeças de uma noitada. E não estamos falando de ressaca. Em uma boate inglesa voltada para o público universitário, o jogador resolver colocar um par de chifres na mãe de seu filho. O que ele não esperava era que a jovem universitária fosse registrar uma falsa queixa de abuso sexual a fim de lucrar algumas cifras nas costas do rapaz. Para a sorte dele, as investigações ocorreram conforme manda o figurino e descobriram a farsa. Enfim, da surra de rolo-de-macarrão em casa ele não deve ter se saído tão bem, assim como na seleção brasileira ele não vem apresentando um desempenho muito “fiel”.

E o Imperador? Foi dessa maneira que Adriano chegou a ser chamado em seu auge na Itália. Bom, imperador na Itália tem que ter orgias e bebedeiras. Então ele cumpriu muito bem seu governo, acompanhado de seus seguidores, um deles o lateral Maicon. Batidas de carro e ficar a um passo para o alcoolismo fizeram o jogador repensar em suas origens e querer voltar para casa. Por enquanto não se vê notícias muito escandalosas do garoto da Vila Cruzeiro, e seu bom futebol minimiza qualquer problema.

Diante disso fica uma pergunta no ar: seria esse o “futebol moleque”? Opine nos comentários.

Uma resposta to “Os Garrinchas das Pernas Retas”

  1. Douglas Anholeti Says:

    Cada época teve suas particularidades. Mas acho que a situação atual é mais grave, as cifras pagas aos jogadores são absurdamente altas e os “atrativos” são inúmeros.

    O problema é que nem todo mundo que enfia o pé na jaca tem qualidade pra chegar no dia seguinte e meter 3 gols no adversário.

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