Futebol em Preto e Branco – n°1

Os cegos da Celestep_b

Essa sim é uma clássica dos tempos mais românticos do futebol, que nunca aconteceria na era da tecnologia de comunicação de hoje. O ano é 1924, o local, Paris. O Uruguai manda sua primeira delegação aos Jogos Olímpicos em uma jornada transatlântica que carrega a geração que assombraria o mundo do futebol. Mas ninguém no Uruguai seria otimista o bastante para prever isso. E poucos na Europa sequer conheciam um país chamado Uruguai, muito menos aqueles que jogavam de celeste. Haveria futebol lá? Bom, ainda por cima? Os adversários, precavidos, mandaram seus espiões ao treino uruguaio. O técnico, conhecendo esse fato, faz um pedido diferente aos jogadores. Que, literalmente, batam cabeça. Naquele treino, qualquer um que passasse por perto pensaria que era um jogo de cegos, ou que os uruguaios nunca tivessem visto uma bola. “Moleza”, diriam os espiões a seus comandados. E, em um piscar de olhos, lá se foram 7 a 0 na Iugoslávia, 3 a 0 nos Estados Unidos, 5 a 1 na anfitriã França, 2 a 1 na Holanda e 3 a 0 na Suíça na final. O que havia atropelado Paris, poucos sabem. Uns poucos mantiveram a consciência por tempo suficiente para afirmar que era celeste… A Celeste Olímpica. A mesma geração, comandados por Nasazzi, Petrone e Cea, foi bicampeã em Amsterdã 1928, e ganharia a primeira Copa do Mundo em casa, 1930, completando 3 títulos nos 3 torneios mundiais disputados em 6 anos.

lg_uruguay_1924

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