O lado sombrio do esporte

Jack Warner e Bin Hamman: afastados da Fifa por suspeita de corrupção.

Torcer e ser entusiasta de um assunto, como o futebol, não significa não enxergar os seus pontos negativos. Muito pelo contrário: discorremos aqui no Cultura FC sobre a paixão, a emoção, mas como amante do esporte achamos que temos a obrigação de ter sempre uma visão ampla para poder fazer críticas devidas: não para desmerecer o assunto, mas buscando torná-lo melhor.

É por isso que, nesta época em que a Fifa, fazemos questão de parar e mostrar alguns pontos negativos do futebol – e do mundo esportivo em geral. Começamos pensando em listar 11 pontos; chegamos a 14. Muitos deles têm relações estreitas entre si, mas achamos por bem tecer algumas linhas sobre todos. Veja tudo na acessando a seqüência do post.

- Apropriação política

Uso do esporte para fins políticos, tanto estando dentro dele e o utilizando como trampolim pessoal, quanto como um regime externo usá-lo como legitimação.

A Copa do Mundo de 1934: instrumento de promoção de Mussolini.

- Alienação popular

O esporte agrega multidões, podendo ser um instrumento poderoso de passar mensagens positivas (como a Democracia Corintiana). Mas pode ser usurpado para aproveitar o momento de lazer das pessoas e tirar atenção de problemas importantes.

Copa do Mundo: "coincidentemente" as eleições presidenciais acompanham o calendário dela.

- Apropriação financeira

É indiscutível que o investimento de patrocinadores ajudou o esporte a evoluir. Mas o dinheiro não pode interferir na parte técnica. Infelizmente, nem sempre isso acontece.

A Unimed não só patrocina; gerencia o futebol do Fluminense. Combinação que trouxe títulos, mas é perigosa e racha o elenco (parte recebe da companhia, parte do clube).

- Violência na torcida

É a torcida move o espetáculo. Ela que pode elevar ou até mesmo extinguir um esporte inteiro. E grande parte da beleza vem das rivalidades. Entretanto, há uma diferença clara entre torcida e banditismo.

Torcidas brigam no estádio: um triste fantasma que ainda ronda o futebol brasileiro.

- Discriminação

O esporte não vê origens: uma pessoa de qualquer lugar pode chegar lá e ganhar. Ainda mais em um contexto como o futebol, o mais democrático dos esportes (jogam altos, baixos, fortes, magros e até gordinhos como Maradona). A discriminação vem matar esse conceito.

Torcida russa oferece banana a Roberto Carlos: demonstrações de racismo são cada vez mais comum na Europa.

- Corrupção

O fantasma que apavora a alta cúpula do esporte. Em clubes ou federações, o uso deles como meio de enriquecimento pessoal não é nenhuma novidade.

Cúpula da Fifa (incluindo o presidente Blatter e o secretário-geral Valcke): acusação de ter vendido as Copas de 2018 e 2022 para Rússia e Qatar, respectivamente.

- Manipulação de resultados

Seja em apostas, patrocínios, cotas de TV, um resultado pode envolver muito dinheiro em campo. E a manipulação de resultados foi um dos escândalos que mais condenaram pessoas envolvidas no esporte nos últimos anos.

Edílson Pereira de Carvalho: manipulação em resultados do Campeonato Brasileiro de 2005 para máfia de apostas.

- Doping

A vantagem ilícita das drogas para chegar na frente: uma maneira – que o usuário pensa ser invisível – de manipular resultados.

Maradona se autodenuncia: ele e companheiros teriam jogado dopados na repescagem das Eliminatórias da Copa de 1994.

- Irresponsabilidade de ídolos

A imagem das crianças é: ídolos esportivos são exemplos de pessoas que vencem na vida através de atitudes saudáveis. Bom, pelo menos eles deveriam ser.

Adriano: grande exemplo em campo, péssimo fora dele.

- Vitória a qualquer preço

Manipulação de resultados e doping não são as únicas formas de distorcer o desejo pela vitória: falta de ética é outra.

Portugal, para derrotar o Brasil em 1966, quase encerrou a carreira do Pelé. Se falta faz parte do jogo, dopar o adversário como a Argentina fez com o Brasil em 1990 não.

- Falta de credibilidade da arbitragem

Esse exemplo é mais claro no futebol do que em qualquer outro esporte: sem a possibilidade de auxílio tecnológico e com o aumento da velocidade de jogo, erros são mais freqüentes (e a grande probabilidade de erro pode colaborar para manipular um resultado).

Gol de Lampard não marcado na Copa de 2010: o uso de uma única câmera teria auxiliado o árbitro.

- Conservadorismo

Outro exemplo em que o futebol é campeão. O mundo evoluiu, o esporte evoluiu, mas a mentalidade dos dirigentes e as regras não.

International Board: quem faz as regras, se recusa a modernizar o jogo.

- Apropriação infantil

A alta competitividade pode tomar a infância de crianças, que acham no esporte uma rara possibilidade de futuro.

Crianças competem cada vez mais cedo, e já há tráfego de menores para jogar no exterior.

 

- Comercialização de nacionalidades

Grande parte do sucesso do esporte está na competição entre nações. E a contratação de atletas para representar um país já é uma triste realidade.

Roger pela seleção polonesa: tão polonês quanto eu e você.

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